Elba, Braulio e o fole roncando em Campos

Três visões íntimas e emocionadas do Rei do Baião vieram à tona quando Rildo Hora, Daniel Gonzaga e Elba Ramalho conversaram com o público na abertura da sétima edição da Bienal do Livro de Campos de Goitacazes, no Rio de Janeiro, na noite da última sexta-feira.

Gigantesca, a Bienal montada no Centro de Eventos Populares Osório Peixoto (Cepop) incluiu Gonzaga entre seus homenageados, o que nos deu oportunidade de autografar o livro no estande montado pela Zahar (muito visitado, com “O Fole” chamando atenção de quem passava, sendo que alguns até paravam para tirar fotos ao lado do banner) e mediar uma conversa regada a música e histórias da relação dos três com o Rei do Baião.

A homenagem descontraída foi iniciada com uma participação especial de uma figuraça, o caruaruense Adélio Lima (o Gonzaga mais velho do filme de Breno Silveira), que fez o trecho de um número em que praticamente incorpora Seu Lua, que ele chama de “Gonzaga Caricato”. Depois de Adélio, Elba, Rildo e Daniel se revezaram nas reminiscências e observações sobre o artista, o amigo e o avô.

Foi muito bacana ver Elba reforçando para uma plateia, formada majoritariamente por seus fãs, a importância para a carreira de Gonzaga de alguns de nossos entrevistados do livro, em especial João Silva e Antonio Barros, ambos saudados de forma entusiasmada pela cantora, que também rendeu homenagens a Marinês, referência direta no trabalho de Elba.

O público de Campos ainda foi brindado com uma canja do trio, que cantou “Vida de viajante”  e, ao final, ouviu Rildo Hora interpretar um medley de grandes sucessos de Gonzaga na gaita (ou realejo, como prefere chamar), em sua homenagem ao cantor que produziu no disco “O canto jovem de Luiz Gonzaga”, a quem chama de “rei severino”, e terminou, claro, com “Asa branca”.

Abaixo, o registro de outro momento especial da noite, quando Elba e o conterrâneo Braulio Tavares bateram os olhos pela primeira vez em “O fole roncou!”. Foi pouco antes de a cantora entrar no palco e fazer um show sensacional, incluindo medley de sucessos de Luiz Gonzaga, entre eles alguns que têm a origem narrada no nosso livro, como “Numa sala de reboco”. Pra quem não sabe, Elba é uma de nossas entrevistadas e o escritor e letrista Braulio Tavares, natural de Campina Grande e parceiro de gigantes como Lenine, é o autor do texto de apresentação impresso na orelha do livro, o que muito nos honrou.  Por fim, a confirmação de uma certeza, depois de conferir a inesgotável energia de Elba no palco e a atenção ao atender os fãs entre uma música e outra: todos sabemos, ou deveríamos saber, que Marinês é a Rainha do Xaxado. Mas não podemos também esquecer que Elba é a Rainha do Forró. Eta mulher arretada! (C.M)

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“O fole…” roncou em BH!

O endereço não poderia ser mais apropriado. Rua PARAÍBA, 1419, Savassi.

Lá, na aconchegante Livraria Mineiriana, foi realizado na noite da última segunda-feira o lançamento em Belo Horizonte de “O fole roncou!”.

Desfalcado do Rosualdo Rodrigues, que ficou em Brasília, autografei o livro aos colegas de redação do Estado de Minas, fãs de forró e amigos de outros tempos e outros acordes, como Henrique Portugal e Fernando Furtado, respectivamente tecladista e empresário do Skank. O Fernando, fotógrafo com livros publicados e autor de diversas imagens emblemáticas da banda que empresaria, ainda quebrou o galho e registrou boa parte da sessão de autógrafos.

Foi legal também contar com a divulgação de grupos locais, como o Trio Lampião, que usou o twitter para comentar o lançamento.

Obrigado a todos de BH, foi uma noite muito especial. Ainda mais por ter ocorrido em uma livraria de rua, empreendimento cada vez mais raro no país e que por isso mesmo deve ser sempre preservado – e fortalecido.

Próxima parada, São Paulo, dia nove de dezembro, um domingo, no Canto da Ema.

E com o time completo, com o Rosualdo e o povo da Zahar, além de convidados muito especiais! (C.M)

“Arretado e crucial”

“Livro arretado e crucial para entender a criação e a evolução de parte importante (e subestimada) da música brasileira”.

Assim o crítico Mauro Ferreira definiu “O fole roncou!” em extensa e pormenorizada crítica no seu respeitado blog, “Notas Musicais”. Eis outro trecho da análise do jornalista carioca:

“Escrito a partir da feitura de mais de 80 entrevistas, O Fole Roncou! – Uma História do Forró também relata os fatores sociais que impulsionaram a migração nordestina para o eixo Rio-SP e, por consequência, acabaram dando visibilidade ao forró além das fronteiras nordestinas. Os autores cruzam as histórias de personagens como os paraibanos Antonio Barros (compositor de numerosos sucessos do gênero) e Jackson do Pandeiro (1919 – 1982), outro pilar da musical Nação Nordestina. De alma paraibana, a pernambucana Marinês – nome artístico de Inês Caetano de Oliveira (1935 -2007), a eterna Rainha do Xaxado – também é personagem de grande presença na narrativa, dimensionada na medida de sua importância para a música nordestina.”

O bacana da crítica é que Mauro Ferreira comenta todo o livro, destacando partes que nos são bem caras – como a reconstituição das trajetórias de Pedro Sertanejo e Abdias, e o papel de Emanoel Gurgel na criação e formatação do forró eletrônico. Mesmo as suas ressalvas são pertinentes, ainda que valha a pena esclarecer uma delas:  não criamos nenhum dos diálogos incluídos no livro, apenas os reproduzimos como nos foram relatados por nossos entrevistados e nos depoimentos de Marinês, Jackson e Luiz Gonzaga aos quais tivemos acesso.

Para ler na íntegra a análise de Mauro Ferreira, que deu a cotação de quatro estrelas para o livro, clique aqui:

http://blognotasmusicais.blogspot.com.br

Mas… e a palavra “forró”?

É antiga a discussão em torno da origem da palavra forró.

Há quem defenda a tese de que ela surgiu do inglês “for all”. Isso porque, segundo contam, os ingleses que se estabeleceram no Nordeste para construir a ferrovia tinham o hábito de promover festas, algumas exclusivas para eles, outras abertas ao público. Nessas ocasiões, colocavam uma placa na porta do barracão: “For all”, ou seja, para todos. Na mesma linha, a presença de militares norte-americanos em Natal, durante a Segunda Guerra Mundial, teria provocado o uso da corruptela da expressão “for all” – esta versão inclusive batiza um filme brasileiro, “For All – o Trampolim da Vitória”, de Luiz Carlos Lacerda. Nenhuma delas, contudo, é comprovada.

A outra teoria é de que forró é uma contração de forrobodó, como eram chamadas as festas no sertão, que sempre acabavam em confusão. E a expressão teria passado a ser comumente usada a partir do uso no título de músicas como “Forró de Mané Vito” e “Forró em Limoeiro”, sucessos, respectivamente, de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro.

Em “O fole roncou! Uma história do forró”, preferimos não nos aprofundar nessa discussão, considerando que esse não era o foco do livro e correríamos o risco de não chegar a uma conclusão. Por outro lado, consideramos que faz muito mais sentido a segunda versão, referendada por depoimentos de artistas como Marinês e Biliu de Campina, transcritos no livro.

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– Esse negócio que a palavra forró veio de for all é frescura. Vem de forrobodó, forrobodança, música do pé-rapado, música da ralé. Significa festa, fuzarca, pagode, zamba, zambê, samba, pagode, função, brinquedo. Forró é um local onde se canta tudo. Forró é tudo. Não é ritmo, nunca foi – defende Biliu (foto).

– Isso começou quando Jackson do Pandeiro começou a cantar “Eu fui pra Limoeiro e gostei do forró de lá”. Mas o forró é o espaço onde se dança, não a música que se canta. Alguém se aproveitou de Jackson, de Gonzaga, de Marinês… E tudo virou forró – garante Marinês.

Em 1948, no seu livro “Brasil Sertanejo”, uma de nossas fontes de pesquisa, Zé do Norte já dava a definição para forró: ““Baile na roça. Significa também barulho, conflito.”

Na entrevista que nos concedeu para o livro, Onildo Almeida, compositor de “A feira de Caruaru” e outros grandes sucessos de Gonzaga, se deteve sobre o assunto:

– Eu, quando tenho uma oportunidade, contesto a versão que os intelectuais dão ao forró, dizendo que foram os americanos que chegaram aqui e batizaram: “For all, música para todos”. Não é. O forró nasceu no tempo em que não existia baião, não existia xote, não existia música nordestina. Ela existia, mas não tinha definição de nada, era o samba do matuto. “Hoje vai ter um samba no brejo de fulano, no sítio, na fazenda de fulano”. Um samba queria dizer uma festa. E no outro dia, vez por outra, aparecia comentário: “Olha, no samba de fulano teve um forrobodó da moléstia, mataram um, esfaquearam não sei quem, teve uma briga não sei com quem…” Deram esse nome, forrobodó. Como esse acontecimento, a que deram o nome de forrobodó era comum nos sambas do matuto, aí começaram a dizer “no forró do fulano”. Aí vem Luiz Gonzaga com o baião, criou o xote, marcha junina, saiu criando coisa. Em 1946, ele lançou o forró, Forró de Mané Vito… Eu tenho essa dúvida, se foi Luiz Gonzaga, mas eu diria que ele criou, ele definiu. Gonzaga criou o forró, o forró de Mané Vito, daí por diante foi o forró do fulano, forró do sicrano, forró não sei de quê… Virou um gênero, e um gênero tão forte que englobou todos os outros ritmos. Forró hoje é qualquer música nordestina, coco, baião, xote, arrasta-pé, marcha junina…

Onildo se arrisca até a inverter a versão de  que “for all” deu origem a forró:

– Eu deduzi que deve ter acontecido o seguinte: aportavam muitos navios no Recife e os marinheiros iam pro cassino americano, no Pina, e lá se tocava forró. Então, eles devem ter perguntado: “O que é isso?”. E o cabra respondeu: “É forró”. E um disse pro outro:  “É for all”. Que dizer, foi exatamente o contrário. Isso pode ter acontecido, mas dizer que eles batizaram de forró não cabe na cabeça! (Rosualdo Rodrigues)

 

Foto de Biliu de Campina: Carlos Marcelo

O ronco do fole em Brasília!

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Aconteceu no fim da tarde do último sábado, no shopping Casa Park, o lançamento em Brasília do nosso livro, “O fole roncou! Uma história do forró”. Primeiro, fizemos um bate-papo descontraído, mediado por um grande amigo, o professor da UnB Sérgio de Sá. Depois houve uma sessão de autógrafos na Livraria Cultura. São Pedro colaborou e, em plena época chuvosa no Planalto Central, deu uma trégua e permitiu que muita gente que gostamos e admiramos (como o cineasta paraibano Vladimir Carvalho, em uma das fotos acima) pudessem aparecer lá no shopping.

Foi muito bacana rever os amigos, familiares e ter contato com pessoas que foram até o evento não por vínculos com nós, autores, mas por afinidade com o tema. Esse interesse provocou cenas divertidas, como alguns casais que aproveitaram a música ao vivo, e a canja no final da cantora Mayra Barros (filha de Antonio Barros e Ceceu, que cantou sucessos como “Sou o estopim” e “Bate coração”), para dançar pelos corredores do Casa Park.

Agradecemos ao Alexandre Mendes, gerente do shopping, pela estrutura montada, e a Renata Canton, da editora Zahar, que saiu do Rio para ajudar na produção do evento. E, claro, a todos que apareceram por lá.

Valeu!

Agora, BH, São Paulo e João Pessoa!

O primeiro lançamento

Relembrando: Lançamento de “O fole roncou!” nesse sábado, a partir das cinco da tarde, no shopping Casa Park, com autógrafos a partir de 19h na Livraria Cultura.
Depois, é a vez de Belo Horizonte (dia 19, Livraria Mineiriana), São Paulo (dia 09/12, Canto da Ema) e João Pessoa (21/12, data e local a confirmar).
Todo mundo lá!

De quem são essas sandálias?

E aí, alguém adivinha de quem são essas sandálias tão características? Dica: é de um dos nossos entrevistados. Mais à frente, a gente traz a resposta – e, quem sabe, um brinde pra quem acertar…

“O fole…” na Folha

“Indo além das criações do compositor e sanfoneiro de Exu (PE), os jornalistas Carlos Marcelo e Rosualdo Rodrigues lançam “O Fole Roncou! – Uma História do Forró”, livro-reportagem sobre a origem, a evolução e as derivações de diversos gêneros que saíram do Nordeste”.

Eis um trecho da reportagem publicada na Folha de S.Paulo nesse domingo sobre o nosso livro. Assinado por Lucas Nóbile, o texto destaca a “vasta bibliografia historiográfica e musical” e o “amplo trabalho de pesquisa”.

“O resultado”, escreve Lucas, “é um livro (com quase 500 páginas, contendo dois encartes coloridos com fotos históricas e capas de discos) que começa centrado na trajetória de Gonzagão, mas apresenta outras figuras de suma importância para a continuidade, a expansão e a evolução da música nordestina.”

Muito bacana foi ver, na edição impressa e no link da internet, uma galeria de fotos com alguns dos nossos “personagens”, entre eles Abdias, Genival Lacerda e Marinês.

No final da reportagem, intitulada “Com os irmãos xote, xaxado e baião, o forró entra para a história”, o repórter destaca: “O livro também tem o mérito de fazer contextualizações históricas sobre o cangaço e sobre o desenvolvimento de cidades como Campina Grande, na Paraíba.”

Abaixo, link com a íntegra da reportagem:

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1179272-com-os-irmaos-xote-xaxado-e-baiao-forro-entra-para-a-historia.shtml