Manuscritos muito especiais

Reproducao: Abelardo Mendes Jr

 

Uma das alegrias que tivemos com a edição de “O fole roncou!” foi a possibilidade de, mesmo modestamente, dar a nossa contribuição para a preservação de originais de clássicos da música brasileira popular.

Durante a produção do livro, pedimos a alguns de nossos entrevistados que escrevessem as letras de seus maiores sucessos para reproduzirmos em nossas páginas, e eles aceitaram a proposta. Assim, no livro, surgem manuscritos de músicas conhecidíssimas como “Severina Xique-Xique” (escrita por João Gonçalves), “Danado de bom” (João Silva), “Eu só quero um xodó” (Anastácia/Dominguinhos) e “Homem com H” (Antonio Barros).

Acima, uma dessas preciosidades: a letra de “A Feira de Caruaru”, manuscrita especialmente para o livro por seu compositor, o radialista pernambucano Onildo Almeida. Gravada em 1957 por Luiz Gonzaga, a música se tornou um dos maiores sucessos do Rei do Baião e a história da canção é contada no capítulo “Tem de tudo na feira”. Onildo inclusive explica a origem de dois termos quase indecifráveis: “carça de arvorada” (tipo de brim semelhante à lona, que trabalhador usava na roça a semana inteira, depois lavava e usava para ir à cidade) e “caneco acuviteiro” (na verdade, “alcoviteiro”, porque ficava entre o namorado e a namorada, na mesa da sala, à luz do candeeiro, pois não havia luz elétrica nas casas).

Esses manuscritos, como diz a letra de Onildo, faz gosto a gente ver!