“Como quem desfolha uma espiga”

“O livro é como se esses dois sujeitos (os autores) juntassem numa bacia de lata de feira um sem número de músicos, cantores, produtores e incentivadores da música popular nordestina e saísse desfiando a história de cada um, como quem desfolha uma espiga do mais puro milho, para preparar o mais autêntico e saboroso bolo junino.”

Com atraso, mas com muita alegria, registramos aqui a leitura crítica do jornalista e dramaturgo Sebastião Vicente para “O fole roncou!”. Natural do Rio Grande do Norte e radicado no Distrito Federal, Sebastião destaca em seu blog “Hamaca de Poti” a emoção que o contagiou durante a leitura, em especial das últimas páginas de “O fole…”, quando descrevemos as mortes de Marinês e Elino Julião.

“É no final do livro, quando os autores se ocupam dos últimos anos de quem passou a vida martelando uma sanfona, que uma lágrima pode se intrometer no olho que lê”.

Ele ressalta também a satisfação que teve ao ver o destaque dado a Genival Lacerda em nossas páginas: “A dupla de jornalistas tem a ousadia corajosa de reclassificar Genival como um dos mais completos artistas jamais produzidos pela música brasileira.”

Quer ler a resenha atenta do Tião? É só clicar no link abaixo: 

http://hamacadepoti.blogspot.com.br/2013/06/pra-ler-ouvir-e-dancar.html

“Um livro alentado, que me ensinou muito”

 

Todo livro cumpre sua própria trajetória.

 

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Aos poucos, ele vai encontrando os seus leitores. E, quando a gente tem contato com leituras tão qualificadas quanto pormenorizadas, fica pra lá de satisfeito, renovando a sensação de “missão cumprida”. É o caso da análise sobre “O fole roncou!” que a jornalista e pesquisadora Maria do Rosário Caetano divulgou em sua newsletter “Almanakito”. Uma defensora apaixonada da cultura brasileira, e profunda conhecedora da cultura popular, a mineira Rosário (radicada em SP)  ainda nos orgulhou ao dizer que “aprendeu muito, muito mesmo” com o nosso trabalho. Confiram, abaixo, as impressões da pesquisadora sobre “O fole”:

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“O Fole Roncou! Uma História do Forró” é uma alentada história do gênero que teve em Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro seus fundadores e maiores difusores. Sempre me interessei pela música nordestina (baião, xote, xaxado, frevo, etc), sempre ouvi Gonzagão e Jackson do Pandeiro, fui (e sou) ouvinte fiel de Geraldinho Azevedo, Alceu Valença e toda aquela geração vinda de vários estados do Nordeste e que fez e aconteceu na década de 1970 e seguintes. Mas, depois de ler este livro, aprendi muito, mas muito mesmo. Aprendi que pouco sei de nomes como Azulão, Arlindo, o Mestre do Beberibe, Zé Calixto, Geraldo Correia, Trio Nordestino, Trio Mossoró, Os Três do Nordeste, Abdias dos Oito Baixos… E que pouco sabia de Antônio Barros e Cecéu, apesar de ligá-lo a sucessos como “Bate Coração” (Elba Ramalho), “Procurando Tu” (várias gravações) e “Homem com H” (na voz de Ney Matogrosso).

 

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O livro de Carlos Marcelo e Rosualdo Rodrigues, com edição (projeto gráfico) primorosa da Zahar  — fartamente ilustrado, com centenas de capas de discos e momentos-chave da história da música nordestina — esclareceu muitos pontos nebulosos para mim. Sabia, sempre soube, que FORRÓ não chega a ser um gênero musical, mas um espaço onde se dança ao som dos mais diversos gêneros nordestinos. Mas desconhecia, além dos nomes acima citados, como tudo tinha ido parar no “forró universitário” e no que Chico César chama de “forró de plástico” (a misturança que veio, principalmente do Ceará, sob o comando do empresário, o “rei da sacação”, Emanoel Gurgel, criador de Matruz com Leite e tantas outras bandas).  Termos como pornoforró, pornoxaxado (e até forrócore) e assemelhados não faziam parte do meu universo.

O livro documenta tudo com enorme curiosidade. Mais expõe, que julga. Mas não deixa, depois de abrir enorme espaço para as “criações/sacações” de Gurgel, de vir com opiniões como as de Chico César, extremamente críticas ao forró mais chegado aos teclados que às sanfonas, zambumbas e triângulos. Como o livro é fruto do labor de dois paraibanos (Carlos Marcelo, de João Pessoa, e Rosualdo, de Coremas — os dois formados em Brasília) ele tem um olhar sem a postura hegemônica (e excluidora) do eixo Rio-SP. Os dois registram o preconceito contra a música nordestina. Mas o fazem sem xingar ou desrespeitar ninguém. Citam o famoso parágrafo de Ruy Castro (em “Chega de Saudade”) em que o autor, aliviado, constata a substituição do acordeon de Mário Zan e assemelhados pelo violão dos belos meninos bossanovistas da Zona Sul carioca, constatam que a morte de um dos grandes nomes da música nordestina (e brasileira) Jackson do Pandeiro mereceu pequenas matérias nos grandes jornais cariocas e paulistas, etc. Aliás, a postura da grande imprensa do eixo Rio-SP vai se desenhando no trato com a música nordestina em subtextos elegantes, mas reveladores do discreto, mas resistente, preconceito.

Ninguém, e o livro mostra isto, fez mais pela aceitação de Luiz Gonzaga junto aos setores, digamos, “ilustrados”, que Gilberto Gil. Dos anos 60 até hoje, o compositor, que foi ministro da Cultura, só fez abrir espaço para Gonzaga, que ele vê como matriz de uma das grandes vertentes da MPB: a nordestina, de raiz rural, que se soma ao samba, mais urbano. Gil “apadrinhou”, como Gonzagão, o afilhado Dominguinhos. Gravou “Eu Só Quero um Xodó”, que virou sucesso nacional. Gravou discos de forró,  fez (por sugestão de Regina Casé) de “Esperando na Janela” outro mega-hit forrozeiro, gravou “Gil Canta Gonzagão”… Tudo isto está registrado no livro de Marcelo & Rosualdo!!

A apresentação é de Braulio Tavares, um craque de Campina Grande, sendo a Paraíba e Pernambuco as capitais do forró. A bibliografia é excelente. Há textos de Celso Furtado, Alberto Tamer (que faleceu recentemente), dissertações de mestrado, etc, respaldando as pesquisas da dupla. Depois de ler o livro, entendi porque o HUMOR é um ingrediente tão forte, em especial, no Ceará e na Paraíba! Resumindo, este livro me ensinou muito!”

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Mais uma vez, obrigado, Rosário, por sua leitura!

O ronco do fole na imprensa alagoana!

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De arrepiar a reportagem publicada no último domingo pela Gazeta de Alagoas sobre o nosso livro. Sob o título “Sanfona, suor e chamego”, o repórter Luiz Gustavo Melo produziu nada menos do que três páginas (!) sobre “O Fole…”, com direito a trechos pinçados a dedo e uma leitura atenta do conteúdo.  E a capa do caderno, utilizando detalhes da xilogravura de Jota Borges que foi utilizada na capa do nosso livro, ficou um show de cores e de ritmo! Muito legal ganhar esse destaque na terra de Jacinto Silva e de Augusto Calheiros, dois dos personagens que citamos nas páginas de “O fole”.

No link abaixo, é possível ler um trecho da reportagem:

http://gazetaweb.globo.com/gazetadealagoas/noticia.php?c=223232

Uma ponte entre dois Brasis

Falo por mim, mas certamente o Rosualdo assina embaixo, até porque já conversamos sobre esse aspecto e chegamos à mesma conclusão: uma das coisas que mais nos deixa orgulhosos desse trabalho é a possibilidade de mostrar ao país a trajetória riquíssima e o imenso talento de compositores, cantores e músicos pouco conhecidos fora dos limites regionais – às vezes, pouco conhecidos até em seu estado natal. Ver nas vitrines de grandes livrarias de shoppings luxuosos, ao lado de best sellers mundiais, um livro com capa de J. Borges e recheado de imagens e histórias de nomes como Geraldo Correia, Zé Calixto, Abdias dos 8 Baixos, Fuba de Taperoá, Biliu de Campina e tantos outros nos enche de satisfação: representa uma contribuição para a construção da ponte entre dois Brasis que pouco ou nada se conhecem.

Por isso, quando a gente vê um programa de alcance nacional como o Globo News Literatura, apresentado por Edney Silvestre, aproveitar um registro despretensioso que fizemos de João Gonçalves explicando a origem da letra de “Severina Xique-Xique” e o utilizou para enriquecer a reportagem sobre o livro, fica igualmente muito feliz.

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E mais: ter a oportunidade de falar na tevê não só sobre os trabalhos mais conhecidos de Luiz Gonzaga (como a parceria com Humberto Teixeira) mas também sobre a importância de nomes como João Silva e Antonio Barros na carreira do Rei do Baião, de Marinês e de Elba Ramalho, também é motivo de orgulho. Dá uma baita sensação de missão cumprida.

O programa, gravado na Livraria da Travessa do shopping Leblon (no Rio), foi ao ar pela primeira vez na última sexta-feira, sete de dezembro, e será reprisado em diversos horários até a próxima quinta-feira, data do centenário de Gonzaga.

Abaixo, um link para o programa:

http://g1.globo.com/globo-news/literatura/videos/t/todos-os-videos/v/historia-do-forro-e-contada-no-livro-o-fole-roncou/2283545/

“Arretado e crucial”

“Livro arretado e crucial para entender a criação e a evolução de parte importante (e subestimada) da música brasileira”.

Assim o crítico Mauro Ferreira definiu “O fole roncou!” em extensa e pormenorizada crítica no seu respeitado blog, “Notas Musicais”. Eis outro trecho da análise do jornalista carioca:

“Escrito a partir da feitura de mais de 80 entrevistas, O Fole Roncou! – Uma História do Forró também relata os fatores sociais que impulsionaram a migração nordestina para o eixo Rio-SP e, por consequência, acabaram dando visibilidade ao forró além das fronteiras nordestinas. Os autores cruzam as histórias de personagens como os paraibanos Antonio Barros (compositor de numerosos sucessos do gênero) e Jackson do Pandeiro (1919 – 1982), outro pilar da musical Nação Nordestina. De alma paraibana, a pernambucana Marinês – nome artístico de Inês Caetano de Oliveira (1935 -2007), a eterna Rainha do Xaxado – também é personagem de grande presença na narrativa, dimensionada na medida de sua importância para a música nordestina.”

O bacana da crítica é que Mauro Ferreira comenta todo o livro, destacando partes que nos são bem caras – como a reconstituição das trajetórias de Pedro Sertanejo e Abdias, e o papel de Emanoel Gurgel na criação e formatação do forró eletrônico. Mesmo as suas ressalvas são pertinentes, ainda que valha a pena esclarecer uma delas:  não criamos nenhum dos diálogos incluídos no livro, apenas os reproduzimos como nos foram relatados por nossos entrevistados e nos depoimentos de Marinês, Jackson e Luiz Gonzaga aos quais tivemos acesso.

Para ler na íntegra a análise de Mauro Ferreira, que deu a cotação de quatro estrelas para o livro, clique aqui:

http://blognotasmusicais.blogspot.com.br

“O fole…” na Folha

“Indo além das criações do compositor e sanfoneiro de Exu (PE), os jornalistas Carlos Marcelo e Rosualdo Rodrigues lançam “O Fole Roncou! – Uma História do Forró”, livro-reportagem sobre a origem, a evolução e as derivações de diversos gêneros que saíram do Nordeste”.

Eis um trecho da reportagem publicada na Folha de S.Paulo nesse domingo sobre o nosso livro. Assinado por Lucas Nóbile, o texto destaca a “vasta bibliografia historiográfica e musical” e o “amplo trabalho de pesquisa”.

“O resultado”, escreve Lucas, “é um livro (com quase 500 páginas, contendo dois encartes coloridos com fotos históricas e capas de discos) que começa centrado na trajetória de Gonzagão, mas apresenta outras figuras de suma importância para a continuidade, a expansão e a evolução da música nordestina.”

Muito bacana foi ver, na edição impressa e no link da internet, uma galeria de fotos com alguns dos nossos “personagens”, entre eles Abdias, Genival Lacerda e Marinês.

No final da reportagem, intitulada “Com os irmãos xote, xaxado e baião, o forró entra para a história”, o repórter destaca: “O livro também tem o mérito de fazer contextualizações históricas sobre o cangaço e sobre o desenvolvimento de cidades como Campina Grande, na Paraíba.”

Abaixo, link com a íntegra da reportagem:

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1179272-com-os-irmaos-xote-xaxado-e-baiao-forro-entra-para-a-historia.shtml

“O fole!” nos blogs

Dois dos maiores críticos da música brasileira, Tárik de Souza e Antonio Carlos Miguel, que acompanhamos por muitos anos em dois jornais cariocas (Jornal do Brasil e O Globo) publicaram notas sobre o nosso livro em seus respectivos blogs.

Para Tárik, “O fole roncou!” conta “uma história do forró –  título genérico aplicado hoje a quase toda a música de procedência nordestina”.  “No inventário denso, além do próprio Gonzaga, há espaço para o “João Gilberto dos oito baixos”, o arredio Geraldo Correia, de Campina Grande, e trajetórias notórias, como as de Marinês, Genival Lacerda, Antonio Barros & Cecéu, Dominguinhos & Anastácia, Abdias e Alcymar Monteiro, que teve coragem de insurgir-se contra o medíocre forró eletrônico, “lambadeado, mal tocado, não vale um tostão furado”.”

Tárik, um de nossos entrevistados, também destaca o fato de o livro contar a história de “Hora do adeus” (Onildo Almeida/Lula Queiroga),” precoce despedida de Gonzaga, que se considerava aposentado pelo sucesso popular da Jovem Guarda, em meados dos 60″. Aqui, o link para o blog do Tárik, que produz e apresenta o programa MPBambas no Canal Brasil:

http://colunas.canalbrasil.globo.com/platb/tarik/

Já Antonio Carlos Miguel, no portal G1, destaca que, “após rápida folheada”, “O fole roncou!” lhe pareceu “um livro bem apurado, com texto preciso, pronto para virar de referência no tema. No centenário do Rei do Baião somos apresentados à sua corte, numa lista que passa por Antonio Barros, Cecéu, Jackson do Pandeiro, Marinês, Anastácia, Dominguinhos, Genival Lacerda  Abdias, Trio Nordestino, Zé Calixto…”, escreve o crítico carioca.

Eis o link para o blog do Miguel:

g1.globo.com/musica/antonio-carlos-miguel

Duplamente bacana!

“O fole!” ronca no DF

Capa do caderno de Cultura do Correio Braziliense do dia 15 de outubro, em matéria assinada por Sergio Maggio, sobre “O fole roncou! Uma história do forró”, que chega às livrarias nos próximos dias.

As capas de LPs, de diferentes épocas e intérpretes, ajudam a ilustrar a diversidade dos personagens incluídos no livro. Ah, e no ranking de 10 clássicos do gênero, é óbvio que “Asa branca” estaria no topo – decidimos deixá-la de fora exatamente por ser hors concours, um autêntico hino não-oficial brasileiro. Em seu lugar, preferimos incluir “Baião”, também de Gonzaga e Humberto Teixeira, pelo simbolismo da letra, cujo primeiro verso (“Eu vou mostrar pra vocês”) batiza o primeiro capítulo do livro.   Image

“O fole!” ronca em Minas Gerais

Eis a reportagem sobre “O fole roncou!”, publicada no último sábado, dia 13/10, no Estado de Minas. Abaixo, um trecho do texto de Sérgio Rodrigo Reis, ilustrado com fotos preciosas do acervo da revista O Cruzeiro, que pertence ao maior jornal mineiro:

“Os autores foram construindo a narrativa, sempre guiados por conversas e – muitas – descobertas. Pouca gente sabe que, nos anos 1970, quando o forró voltou à cena com as letras de duplo sentido de Genival Lacerda, os forrozeiros se tornaram vítimas de perseguição política. Compositores e cantores foram censurados e enquadrados como “pornofônicos”. Um deles é João Gonçalves, autor de Severina Xique-Xique. Por causa do refrão de duplo sentido (“O bode comendo acaba”), em Meu Cariri é assim, o álbum foi proibido. Resultado: recolhidos das lojas, 3,6 mil discos viraram fogueira. Mais que revelar histórias curiosas e engraçadas dos bastidores, O fole roncou! evidencia uma característica peculiar do forró. Os nordestinos foram os brasileiros que mais migraram para outras regiões do país em busca de oportunidades, levando consigo não só o sonho de melhorar de vida, mas a sua rica cultura. O forró conquistou gente de vários estados – como ritmo, festa e agregador dos chamados “retirantes”. As canções, em boa parte crônica do cotidiano, evidenciam em suas letras a capacidade de superação diante de adversidades naturais, econômicas e sociais.”

A matéria completa pode ser lida também aqui:

http://adminf5.divirta-se.uai.com.br/divirtase/templates/ficha_agitos?id_noticia=59257