“O fole…” é finalista do Jabuti!

Ficamos muito felizes em saber que “O fole roncou! Uma história do Forró” é um dos finalistas da primeira etapa do Prêmio Jabuti, na categoria reportagem!

Mais um reconhecimento de que o esforço valeu a pena e, de novo, o nosso agradecimento a todos na Editora Zahar, por terem acreditado nesse projeto desde o início!

Abaixo, a lista dos outros indicados:

 REPORTAGEM
1º – AS DUAS GUERRAS DE VLADO HERZOG: DA PERSEGUIÇÃO NAZISTA NA EUROPA À MORTE SOB TORTURA NO BRASIL – AUDÁLIO DANTAS – EDITORA CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA
2º – DIAS DE INFERNO NA SÍRIA – KLESTER CAVALCANTI – EDITORA SARAIVA
3º – MÃOS QUE FAZEM HISTÓRIA – CRISTINA PIONER E GERMANA CABRAL – EDITORA VERDES MARES
4º – DIGNIDADE! – VÁRIOS AUTORES – LEYA
5º – CARCEREIROS – DRAUZIO VARELLA – COMPANHIA DAS LETRAS
6º – 1943 ROOSEVELT E VARGAS EM NATAL – ROBERTO MUYLAERT – EDITORA BÚSSOLA
7º – LUZES DA ÁFRICA: PAI E FILHO EM BUSCA DA ALMA DE UM CONTINENTE – HAROLDO CASTRO – EDITORA CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA
8º – U-507 – O SUBMARINO QUE AFUNDOU O BRASIL NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL – MARCELO MONTEIRO – EDITORA SCHOBA
9º – NABUCO EM PRETOS E BRANCOS – FABIANA MORAES – MASSANGANA
10º – O FOLE RONCOU! UMA HISTÓRIA DO FORRÓ – CARLOS MARCELO E ROSUALDO RODRIGUES – EDITORA ZAHAR

“Como quem desfolha uma espiga”

“O livro é como se esses dois sujeitos (os autores) juntassem numa bacia de lata de feira um sem número de músicos, cantores, produtores e incentivadores da música popular nordestina e saísse desfiando a história de cada um, como quem desfolha uma espiga do mais puro milho, para preparar o mais autêntico e saboroso bolo junino.”

Com atraso, mas com muita alegria, registramos aqui a leitura crítica do jornalista e dramaturgo Sebastião Vicente para “O fole roncou!”. Natural do Rio Grande do Norte e radicado no Distrito Federal, Sebastião destaca em seu blog “Hamaca de Poti” a emoção que o contagiou durante a leitura, em especial das últimas páginas de “O fole…”, quando descrevemos as mortes de Marinês e Elino Julião.

“É no final do livro, quando os autores se ocupam dos últimos anos de quem passou a vida martelando uma sanfona, que uma lágrima pode se intrometer no olho que lê”.

Ele ressalta também a satisfação que teve ao ver o destaque dado a Genival Lacerda em nossas páginas: “A dupla de jornalistas tem a ousadia corajosa de reclassificar Genival como um dos mais completos artistas jamais produzidos pela música brasileira.”

Quer ler a resenha atenta do Tião? É só clicar no link abaixo: 

http://hamacadepoti.blogspot.com.br/2013/06/pra-ler-ouvir-e-dancar.html

“Um livro alentado, que me ensinou muito”

 

Todo livro cumpre sua própria trajetória.

 

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Aos poucos, ele vai encontrando os seus leitores. E, quando a gente tem contato com leituras tão qualificadas quanto pormenorizadas, fica pra lá de satisfeito, renovando a sensação de “missão cumprida”. É o caso da análise sobre “O fole roncou!” que a jornalista e pesquisadora Maria do Rosário Caetano divulgou em sua newsletter “Almanakito”. Uma defensora apaixonada da cultura brasileira, e profunda conhecedora da cultura popular, a mineira Rosário (radicada em SP)  ainda nos orgulhou ao dizer que “aprendeu muito, muito mesmo” com o nosso trabalho. Confiram, abaixo, as impressões da pesquisadora sobre “O fole”:

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“O Fole Roncou! Uma História do Forró” é uma alentada história do gênero que teve em Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro seus fundadores e maiores difusores. Sempre me interessei pela música nordestina (baião, xote, xaxado, frevo, etc), sempre ouvi Gonzagão e Jackson do Pandeiro, fui (e sou) ouvinte fiel de Geraldinho Azevedo, Alceu Valença e toda aquela geração vinda de vários estados do Nordeste e que fez e aconteceu na década de 1970 e seguintes. Mas, depois de ler este livro, aprendi muito, mas muito mesmo. Aprendi que pouco sei de nomes como Azulão, Arlindo, o Mestre do Beberibe, Zé Calixto, Geraldo Correia, Trio Nordestino, Trio Mossoró, Os Três do Nordeste, Abdias dos Oito Baixos… E que pouco sabia de Antônio Barros e Cecéu, apesar de ligá-lo a sucessos como “Bate Coração” (Elba Ramalho), “Procurando Tu” (várias gravações) e “Homem com H” (na voz de Ney Matogrosso).

 

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O livro de Carlos Marcelo e Rosualdo Rodrigues, com edição (projeto gráfico) primorosa da Zahar  — fartamente ilustrado, com centenas de capas de discos e momentos-chave da história da música nordestina — esclareceu muitos pontos nebulosos para mim. Sabia, sempre soube, que FORRÓ não chega a ser um gênero musical, mas um espaço onde se dança ao som dos mais diversos gêneros nordestinos. Mas desconhecia, além dos nomes acima citados, como tudo tinha ido parar no “forró universitário” e no que Chico César chama de “forró de plástico” (a misturança que veio, principalmente do Ceará, sob o comando do empresário, o “rei da sacação”, Emanoel Gurgel, criador de Matruz com Leite e tantas outras bandas).  Termos como pornoforró, pornoxaxado (e até forrócore) e assemelhados não faziam parte do meu universo.

O livro documenta tudo com enorme curiosidade. Mais expõe, que julga. Mas não deixa, depois de abrir enorme espaço para as “criações/sacações” de Gurgel, de vir com opiniões como as de Chico César, extremamente críticas ao forró mais chegado aos teclados que às sanfonas, zambumbas e triângulos. Como o livro é fruto do labor de dois paraibanos (Carlos Marcelo, de João Pessoa, e Rosualdo, de Coremas — os dois formados em Brasília) ele tem um olhar sem a postura hegemônica (e excluidora) do eixo Rio-SP. Os dois registram o preconceito contra a música nordestina. Mas o fazem sem xingar ou desrespeitar ninguém. Citam o famoso parágrafo de Ruy Castro (em “Chega de Saudade”) em que o autor, aliviado, constata a substituição do acordeon de Mário Zan e assemelhados pelo violão dos belos meninos bossanovistas da Zona Sul carioca, constatam que a morte de um dos grandes nomes da música nordestina (e brasileira) Jackson do Pandeiro mereceu pequenas matérias nos grandes jornais cariocas e paulistas, etc. Aliás, a postura da grande imprensa do eixo Rio-SP vai se desenhando no trato com a música nordestina em subtextos elegantes, mas reveladores do discreto, mas resistente, preconceito.

Ninguém, e o livro mostra isto, fez mais pela aceitação de Luiz Gonzaga junto aos setores, digamos, “ilustrados”, que Gilberto Gil. Dos anos 60 até hoje, o compositor, que foi ministro da Cultura, só fez abrir espaço para Gonzaga, que ele vê como matriz de uma das grandes vertentes da MPB: a nordestina, de raiz rural, que se soma ao samba, mais urbano. Gil “apadrinhou”, como Gonzagão, o afilhado Dominguinhos. Gravou “Eu Só Quero um Xodó”, que virou sucesso nacional. Gravou discos de forró,  fez (por sugestão de Regina Casé) de “Esperando na Janela” outro mega-hit forrozeiro, gravou “Gil Canta Gonzagão”… Tudo isto está registrado no livro de Marcelo & Rosualdo!!

A apresentação é de Braulio Tavares, um craque de Campina Grande, sendo a Paraíba e Pernambuco as capitais do forró. A bibliografia é excelente. Há textos de Celso Furtado, Alberto Tamer (que faleceu recentemente), dissertações de mestrado, etc, respaldando as pesquisas da dupla. Depois de ler o livro, entendi porque o HUMOR é um ingrediente tão forte, em especial, no Ceará e na Paraíba! Resumindo, este livro me ensinou muito!”

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Mais uma vez, obrigado, Rosário, por sua leitura!

Como nasceu a capa

Tem sido muito bacana observar a reação das pessoas ao bater os olhos pela primeira vez na capa de “O fole roncou!”.
“Vibrante!”, “alegre”, “chamativa” foram algumas das palavras que ouvimos nos dois lançamentos realizados até agora. O banner, produzido pela Zahar a partir da capa do livro, também tem sido bastante elogiado – tinha até gente tirando foto ao lado dele, na Bienal de Campos. Para desvendar um pouco do esmerado processo de criação (reparem na forma que a letra L é desenhada na palavra “fole” do título, praticamente vira um “sofá” para a letra “E”), resolvemos trazer aqui para o blog uma entrevista com “o pai da criança”: Rafael Nobre, diretor de arte da Babilonia Cultura Editoria, responsável pela criação da capa do nosso livro, “O fole roncou!”. Rafael trabalhou a partir de uma sugestão nossa (a obra do genial xilogravurista Jota Borges, pernambucano de Bezerros), prontamente aceita pelo pessoal da editora.  Fala, Rafael!
O que pesou na escolha da xilogravura “Forró sertanejo”, de Jota Borges? O que o atrai, como designer, no trabalho do xilogravurista pernambucano e no imaginário nordestino?
No Briefing para a criação deste trabalho que recebi da editora foi sugerido o uso de uma gravura de J. Borges. Recebi duas imagens (“Forró sertanejo” e “Forró pé de serra”) para a criação dos layouts.
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Foi na faculdade que tive o primeiro contato com a técnica de xilografia. Aprendi os conceitos básicos e produzi algumas gravuras nesta técnica fascinante. Mais ou menos nesta época conheci o trabalho incrível do artista J. Borges, um dos grandes nomes da gravura popular brasileira. Foi um grande prazer e responsabilidade trabalhar sobre uma de suas imagens.
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 Você poderia falar um pouco sobre a fonte utilizada no título do livro? É desenhada? Quais foram as referências para o trabalho de criação da fonte? Como foi o processo de desenvolvimento da fonte?
A fonte do título foi criada exclusivamente para este livro, ela foi desenhada manualmente e depois digitalizada com o intuito de preservar suas irregularidades. A tipografia que J. Borges usa em suas gravuras também serviu de inspiração para compor os nomes dos autores do livro. Assim, tipografia e imagem compartilham da mesma linguagem visual.
Na contracapa, o uso de cores quentes e de detalhes da xilogravura também tornou o resultado final bem atraente. Essa solução veio de imediato ou exigiu maior elaboração?
Pretendi fazer uma capa bem colorida, usei a paleta de cores da gravura. Trabalhei a imagem na quarta capa de um modo mais gráfico, usando apenas duas cores para dar um pouco de dinamismo e contraste em relação a capa. Decidi por esta combinação de cores quentes para transmitir o calor humano e a energia da música e da dança representados na imagem.
O que você, como criador, destacaria no resultado final da capa? Fez outras versões da capa até chegar na versão definitiva? Quanto tempo foi necessário, da concepção até a execução?

Fiz dois layouts para esta capa: um para cada imagem que me foi enviada pela editora. Além da capa, me foi pedido para fazer o verso de capa com as capas dos discos de forró. Este primeiro estudo levou cerca de 15 dias. Após esta etapa foram pedidos alguns ajustes na composição até chegarmos ao resultado final. Este processo levou por volta de 10 dias. A escolha da imagem de capa foi muito acertada e como disse anteriormente, partiu da editora. Procurei valorizar a imagem e integrá-la as informações textuais de modo harmônico. Criar uma boa capa de livro depende não somente do designer, mas também de bons editores e produtores gráficos que colaboram cada um com seu conhecimento para um resultado que seja satisfatório para todos.

 Fazer capa de livro é tão difícil quanto tocar sanfona? 
Sim e não. Algumas capas pedem mais tempo de trabalho e reflexão, outras saem com mais facilidade. Mas, ter de sintetizar em uma imagem o conteúdo de um livro é sempre desafiador, assim como é preciso ter agilidade e criatividade para tocar sanfona.
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O que você mais gosta no seu trabalho de designer e direção de arte?
Gosto do desafio de comunicar visualmente um conceito que pode vir, por exemplo de um texto ou uma música. O trabalho de um designer é por natureza colaborativo, estamos a todo tempo trabalhando com fotos, tipografias, ilustrações e textos que muitas vezes não foram feitos por nós, daí surge o desafio de compor, editar e criar em cima de tudo isso, tornando o produto final um objeto de desejo.
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Para conhecer mais o incrível trabalho do Rafael Nobre e da Babilonia, acesse https://www.facebook.com/babiloniaeditorial

Histórias de sanfona, suor e chamego

Abaixo, o release oficial do nosso livro, “O fole roncou! Uma história do forró”, que tem 472 páginas e chega às livrarias a partir do dia 19 de outubro. O lançamento em Brasília está previsto para o dia 10 de novembro, no shopping Casa Park.

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Desde que Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira ensinaram ao Brasil como se dança o baião, nos anos 1940, a nossa música nunca mais foi a mesma. Ao baião, juntaram-se o xaxado, o coco, o arrasta-pé, o xote e outros ritmos nordestinos: assim nasceu o forró. Sete décadas depois, ele resiste como um dos mais autênticos gêneros musicais brasileiros, sobrevivendo a modismos, às bruscas mudanças do mercado fonográfico e ao desaparecimento de alguns dos principais representantes.

A partir de mais de 80 entrevistas e documentos inéditos, “O fole roncou! Uma história do forró”, dos jornalistas Carlos Marcelo e Rosualdo Rodrigues, reconstitui a trajetória desse estilo musical, por meio de episódios marcantes da vida artística e pessoal de nomes como Gonzagão, Jackson do Pandeiro, Marinês, Dominguinhos, Trio Nordestino, Genival Lacerda, Anastácia, Antonio Barros, Elino Julião, Jacinto Silva, Abdias, Trio Mossoró, entre muitos outros.

“Gonzaga e Jackson são os nomes mais famosos, os que já foram biografados e estudados em livro; mas a história do forró é tecida pela vida e obra de centenas de músicos de enorme talento e pouca visibilidade, que o encorparam e sustentaram como a principal expressão musical dos nordestinos”, lembra o paraibano Braulio Tavares. Escritor e compositor, Braulio assina a orelha do livro, do qual destaca a clareza e angência da narrativa.

Em 470 páginas, os autores percorrem dos anos 1930 à primeira década do século 21 e ressaltam ainda a importância de artistas como Elba Ramalho, Alceu Valença e Fagner na continuidade dessa história, desdobrada nos últimos anos com o surgimento, no Ceará, do forró eletrônico e do forró universitário, em São Paulo, também registrados no livro.

O impacto da migração nordestina na identidade cultural brasileira serve como pano-de-fundo da narrativa, pois muitas letras são autênticas crônicas do dia-a-dia dos nordestinos que deixaram a sua terra. Casos engraçados e dramáticos se alternam com episódios sombrios (a perseguição da censura nos anos 1970 aos compositores de letras de duplo sentido, pela primeira vez revelada em livro) e com a gênese de sucessos como “Procurando Tu”, “Eu só quero um xodó”, “Severina Xique-Xique” e “Danado de bom”.

Em linguagem acessível, os autores revelam facetas menos conhecidas de músicos, cantores e compositores com algo em comum, além da origem e do talento: a capacidade de superação diante de adversidades naturais, econômicas e sociais. Enriquecido com fotos preciosas de arquivo e manuscritos originais de letras conhecidas, “O fole roncou!” reúne histórias de sanfona, suor e chamego, protagonizadas por expoentes da música brasileira popular e contadas no ritmo contagiante dos gigantes do forró.

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Ah, a capa do livro, reproduzida acima, é de Rafael Nobre, da Babilonia Cultura Editorial, a partir da xilogravura “Forró sertanejo”, do pernambucano J. Borges.

o fole vai roncar!

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Olá a todos!

Esse blog foi criado para falar do livro “O fole roncou! Uma história do forró”, que chega às livrarias na segunda quinzena de outubro, em lançamento da editora Zahar. Nas próximas semanas, nós – os jornalistas Carlos Marcelo e Rosualdo Rodrigues, os autores do livro – vamos contar como nasceu o projeto, relembrar detalhes das mais de 80 entrevistas que fizemos ao longo dos últimos três anos, e incluir fotos e vídeos dos bastidores das nossas conversas com grandes nomes da música nordestina, a exemplo de Anastácia, Antonio Barros e Cecéu, Dominguinhos, Genival Lacerda, João Silva, João Gonçalves, Marivalda, Messias Holanda, Onildo Almeida e muitos, muitos outros.

O livro já pode ser encomendado no endereço abaixo:

http://livraria.folha.com.br/catalogo/1187194/o-fole-roncou

ou aqui:

http://www.travessa.com.br

Sejam bem-vindos, aprocheguem-se: o fole vai roncar!

Foto: Abelardo Mendes Jr