Gonzagão no palco

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Uma das homenagens mais bonitas ao centenário do Rei do Baião é o espetáculo “Gonzagão, a Lenda”, que estreou no Rio de Janeiro, foi apresentado recentemente em Belo Horizonte e deve percorrer o país ao longo do ano.
Idealizado e dirigido pelo pernambucano João Falcão, o musical é uma sucessão de achados, a partir da forma de apresentação da narrativa, por meio de uma trupe teatral que vem de um longínquo futuro para resgatar vestígios da trajetória de Gonzaga e reconstitui-los da forma que eles se acham capazes de fazer.
A dramaturgia delirante de Falcão dá conta de recriar, com liberdade poética (há até um encontro de Gonzaga com Lampião), a saga do maior sanfoneiro do Brasil. Para isso, ele utiliza trechos de quase 50 canções gonzagueanas, quase todas muito conhecidas, presentes no imaginário coletivo brasileiro. O encadeamento das músicas é muito criativo, pois não se dá em ordem cronológica: “Baião”, por exemplo, o cartão-de-visitas da dupla Gonzaga/Humberto Teixeira, aparece quase no meio do espetáculo, e com trechos cantados em inglês (!) e japonês (!!).
Para quem já leu o nosso livro, o prazer de assistir à montagem será ainda maior, pois Falcão incluiu algumas das músicas que têm sua origem contadas em detalhes nas páginas de “O fole roncou”, tais como “Feira de Caruaru” (Onildo Almeida) e “Óia eu aqui de novo” (Antonio Barros). No elenco, tão numeroso quanto talentoso, o grande destaque vai para a atriz Laila Garín, única presença feminina e que tem timbre muito parecido com o de Gal Costa.
Emocionante, divertido e com figurinos arrojados, que misturam referências do passado e do futuro, “Gonzagão a Lenda” é um musical arrebatador. (C.M)

O ronco do fole no Recife!

A oportunidade de lançar o nosso livro no estado natal de Luiz Gonzaga, Marinês, Nelson Valença, Onildo Almeida, para citar apenas alguns grandes pernambucanos, mesmo durante o período pré-carnavalesco, não poderia ser desperdiçada.

Por isso, com muita satisfação, aceitamos o convite da Saraiva para conversar sobre “O fole roncou!” no confortável auditório de sua novíssima loja no shopping RioMar. Foi o que fizemos na noite desse sábado, no Recife.

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E foi muito bacana, por vários motivos: além do reencontro com familiares e amigos de infância e fãs do livro, também tivemos a chance de, como em João Pessoa, ter o privilégio de contar com um de nossos principais “personagens” ao vivo, contando histórias ligadas à sua trajetória – inclusive histórias que não estão no livro.

Se, na capital paraibana, João Gonçalves e Biliu de Campina, divertiram e encantaram a plateia no auditório do Zarinha, dessa vez foi Oséas Lopes, o líder do Trio Mossoró, quem garantiu a atenção dos presentes ao repassar sua carreira como cantor e também como produtor de grandes sucessos de Luiz Gonzaga, Genival Lacerda e tantos outros.

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Oséas contou, por exemplo, como sugeriu a Dominguinhos que convidasse Chico Buarque para interpretar “Isso aqui tá bom demais”, parceria do sanfoneiro com Nando Cordel,e que se tornaria um dos maiores sucessos do forró nos anos 1980. Também lembro que o Trio Mossoró interpretou “Carcará”, de João do Vale, em diversos programas de televisão no Rio de Janeiro nos anos 1960, quando a música já fazia sucesso com a interpretação de Maria Bethania. Chegaram a tocar no programa “Hoje é dia de rock”, rompendo os limites do gênero. Sem, contar, claro, o trabalho na produção dos derradeiros sucessos de Gonzagão, como “Danado de bom” e “Forró Número Um”.

A noite também foi especial pela valiosa contribuição de um grupo de pesqueirenses, que nos fez aproveitar a ocasião para fazer, por intermédio do pesquisador Walter Freitas, uma justa homenagem a um dos mais ilustres filhos de Pesqueira, Nelson Valença, o autor de “O fole roncou!”, a quem tratam carinhosamente de “O professor”. Eles fazem um trabalho muito importante de preservação e divulgação da obra de Valença, que faleceu no ano passado e que eles chamam carinhosamente, até hoje, de  “Seu Nelson”.

A todos, o nosso agradecimento por mais essa possibilidade de divulgar não só o nosso trabalho mas também reverenciar a obra de nomes tão importantes, e infelizmente ainda pouco reconhecidos, como Valença, Oséas Lopes e tantos outros.

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PS: Oséas Lopes (foto acima) também fez duras críticas, baseada em sua experiência, da atual realidade das rádios, em que é preciso pagar para tocar. Simplesmente lamentável. 

PS II: Para mais informações sobre a rica trajetória de Nelson Valença, acesse o blog http://www.oabelhudo.com.br