Adeus a João Silva

É com muito pesar que ficamos sabendo que morreu, no dia seis de dezembro no Recife, o cantor e compositor João Silva, um dos principais personagens de “O fole roncou!”. Pernambucano de Arcoverde, João era uma figuraça: suas histórias, ainda mais por causa da forma que ele as contava, mereciam um livro (e um filme) à parte.
Em dezembro de 2010, passei uma tarde conversando com ele em um modesto apartamento na Conselheiro Aguiar, em Boa Viagem, e saí de lá tão entusiasmado quanto inebriado pela certeza da importância de ajudar, de alguma forma, a preservar aquelas histórias. Houve outras conversas e encontros depois, o mais recente em junho desse ano no Fórum de Forró de Aracaju, onde João dividiu o palco com Onildo de Almeida: os dois compartilharam causos impagáveis e, com simplicidade e sem marketing, aumentaram ainda mais a minha admiração pelo talento de ambos.
Autor de “Danado de bom”, “Nem se despediu de mim”, “Deixa a tanga voar” e outros sucessos de Luiz Gonzaga, João faz parte da memória musical brasileira – ainda que boa parte do Brasil não associe o nome, simples como os seus versos, à pessoa. Abaixo, ele aparece em retrato, feito para o nosso livro, pelo fotógrafo Ricardo Labastier.
Teria muito mais a dizer sobre esse gigante da música brasileira popular e sobre a sua generosidade em compartilhar de forma irrestrita a gênese de suas músicas, mas por enquanto o que prevalece são as lembranças – e o silêncio.
E tu nem se despediu da gente…. Descanse em paz, João. Obrigado pelas músicas e pelas palavras! (C.M)

joaosilva